segunda-feira, 8 de agosto de 2011

SALMO 84 - 85



Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,
E a vossa salvação nos concedei.

Quero ouvir o que o Senhor irá falar,
é a paz que Ele vai anunciar.
Está perto a salvação dos que o temem
E a glória habitará em nossa terra.

A verdade e o amor se encontrarão,
A justiça e a paz se abraçarão.
Da terra brotará a fidelidade
E a justiça olhará dos altos céus.

O Senhor nos dará tudo que é bom
E a nossa terra nos dará muitas colheitas.
A justiça andará na sua frente
E a savação há de seguir os passos seus.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

CONVERSANDO SOBRE LTURGIA



A palavra “Liturgia” vem do grego e significa “serviço ou trabalho público”, serviço do povo. É uma expressão de fé como dom do Espírito Santo, pois é Ele, o Espírito Santo, que nos ajuda a viver a missão profética, sacerdotal e pastoral como batizados que somos.
Na Liturgia, vivemos a experiência de uma vida fraterna com a comunidade, celebrando o acontecimento definitivo do Mistério Pascal, que nos conduz a salvação.
Sobre a Liturgia o Pe. Marcelino Sivinski nos diz o seguinte:

“A liturgia é a vida de Deus em nós e para nós. Ela celebra a ação de Deus e nos faz seres mais humanos e mais justos. Nela realizamos o encontro com Deus. Jesus Cristo nos reúne e preside a reunião da comunidade. Quando alguém batiza, é Cristo quem batiza. Nas leituras, é Ele mesmo que nos fala e nos transforma com a força da sua Palavra. Na liturgia, o Espírito Santo nos revela os mistérios de Deus, move os corações, reforça a nossa resposta e opera a salvação” (Vida Pastoral 230).

Neste pequeno texto já podemos perceber a importância da Liturgia na vida de todos os cristãos. A Liturgia nos envolve e nos convida a participar da vida da comunidade. O Espírito Santo nos anima a colocar os nossos dons a serviço. Alimenta a nossa fé, nos fortalece para que possamos viver e testemunhar os ensinamentos de Cristo. A comunidade, hoje, tem a possibilidade de aprender e entender o significado de cada momento litúrgico. Mas, nem sempre foi assim.
Todos nós já ouvimos falar do Concílio Ecumênico Vaticano II e da importância deste Concílio para a Igreja Católica. Mas, muitas, vezes não sabemos por que este documento é tão importante. Realmente, ele é muito importante, pois mudou muita coisa dentro da Igreja, e principalmente, mudou a Liturgia. É no Concilio que encontramos o “Sacrosanctum Concilium”, isto é a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, que possibilitou ao povo uma participação ativa dentro da Igreja. Antes do Concílio, o leigo não podia fazer uma leitura durante a Missa, ministrar comunhão e nem entendia direito o que se passava e o que se falava nas celebrações, pois tudo era em latim. Graças ao Sacrosanctum Concilium, e com certeza pela a inspiração do Espírito Santo, foram abertas as janelas da Igreja para que novos ares pudessem entrar, (João XXIII) O povo de Deus hoje, não “assiste” as celebrações. O povo de Deus hoje, “participa ativamente das celebrações”.
Para melhor entender e participar da Liturgia é interessante saber o que é o Ano Litúrgico. Ele não começa como o ano civil de 01 de Janeiro a 31 de dezembro, como no nosso calendário.
O Ano Litúrgico se inicia com o Advento, quatro semanas antes do Natal e termina com a Festa de Cristo Rei, celebrada normalmente, um domingo antes do primeiro domingo do Advento.
O cristão caminha pelo Ano Litúrgico vivenciando a vida e a obra salvífica de Jesus. Pelo desenho, podemos verificar os tempos fortes de oração::o Advento que nos prepara para a festa do nascimento de Jesus, em seguida a Quaresma, tempo de reflexão, preparando o Povo de Deus para a grande festa da Páscoa, a Ressurreição do Senhor, quando Cristo nos mostra que a morte não é o fim. Celebramos com grande alegria Festa de Pentecostes, a força do Espírito Santo que preencheu os apóstolos, dando-lhes coragem para cumprir a missão que Jesus lhes deixou: “Ide portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”! (Mt 28,19).
Aqui, é o momento de lembrarmos que a missão que Jesus deu aos apóstolos, é a nossa missão nos dias de hoje:
continuar anunciando o Evangelho em gestos, palavras e atitudes no ambiente em que vivemos, isto é, na família, na escola, no trabalho, na comunidade..
No tempo comum, a Liturgia não fica mais pobre. Pelo contrário. Neste tempo, a criatividade da Equipe de Liturgia deve se fazer presente para que as celebrações continuem sendo momentos de perfeita união com Deus e com a comunidade.
Ainda sobre o Ano Litúrgico podemos lembrar que existe o Ano A, o Ano B e o Ano C.

ANO A – EVANGELHO DE MATEUS
ANO B – EVANGELHO DE MARCOS
ANO C – EVANGELHO DE LUCAS

Assim, no Ano A temos os textos do Evangelho segundo São Mateus, o Ano B, o Evangelho de São Marcos e no Ano C o Evangelho de São Lucas. O Evangelho de São João é reservado para o tempo da Quaresma e a algumas festas especiais.
As cores dos paramentos e das tolhas que revestem o altar e o ambâo., também tem um significado litúrgico

BRANCO – Usado na Páscoa, no Natal, nas festas de Nossa Senhora e em missas festivas. Simboliza alegria, ressurreição, vitória e pureza.:

VERMELHO – Lembra o fogo do Espírito Santo. É a cor do domingo de Pentecoste.. Usa-se também na Celebração do Sacramento do Crisma e nas missas dos mártires.

VERDE- Se usa nos dias de semana e nos domingos do Tempo Comum. Simboliza a esperança.

ROXO – Usado no Advento e na Quaresma simbolizando a penitência.

RÓSEO – Pode ser usado no Terceiro Domingo do Advento e no Quarto Domingo da Quaresma, lembrando a proximidade da alegria.

Cristo é o centro de toda a Liturgia e a comunidade reunida é parte integrante da Liturgia. Nela, homens e mulheres se encontram com Deus agradecendo, glorificando, escutando a Palavra na celebração Eucarística, na celebração dos demais Sacramentos e comungando o Pão da Vida repartido com os irmãos.
A Liturgia é dinâmica e pode ser adaptada a realidade das diversas comunidades. As celebrações direcionadas para uma comunidade rural, por exemplo, são diferentes das celebrações para as comunidades de uma cidade grande, como São Paulo e outras. O grande objetivo da Liturgia e falar diretamente ao coração do Povo de Deus, e para isso usa sinais, símbolos, cantos, pertinentes a realidade de cada comunidade.
As paróquias e as dioceses oferecem aos leigos cursos sobre Liturgia, Aqueles(as) que se dispõe a fazer o curso, descobrem a importância e a riqueza da Liturgia nas celebrações, pois ela permite o uso de instrumentos musicais, cantos, cartazes, símbolos que, sintonizados com o Ano Litúrgico enriquecem as celebrações e ajudam a comunidade a sentir, com mais intensidade, a presença de Deus em sua vida.
Preparar uma celebração “liturgicamente correta”, isto é sem exageros, é sentir a presença do Espírito Santo em cada detalhe, na flor, na música, no canto, nas cores, nos leitores, na entrada da Bíblia, na Palavra proclamada, na participação da assembléia.
Por isso, faça parte da Equipe de Liturgia da sua Paróquia. Você vai gostar!

“LITURGIA É A PALAVRA MAIS RICA QUE A IGREJA PRONUNCIA”
(G.Venturi)


Valderes Costenaro

sexta-feira, 1 de julho de 2011



NESTA VIDA,
PODEMOS APRENDER TRÊS COISAS DE UMA CRIANÇA:
ESTAR SEMPRE ALEGRE,
NUNCA FICAR INATIVO
E CHORAR COM FORÇA POR TUDO O QUE SE QUER!

segunda-feira, 27 de junho de 2011



O SEGREDO
JUDAICO
DA
RESOLUÇÃO
DE
PROBLEMAS

(Indiche Cop –Nilton Bonder)

Por Trás das Aparências

O livro em estudo nos mostra o quanto somos levados, nas diversas situações da nossa existência, pelas aparências. Confiamos no que vemos, no que ouvimos, no que lemos, no que sentimos e até julgamos pessoas e situações, apontamos culpados, muitas vezes baseando-nos apenas pelo aspecto superficial daquilo que vemos.

Acreditar e julgar situações ou pessoas pelas aparências, interpretar um texto literalmente, é se acomodar com o que é fácil, é não querer se aprofundar, analisar, refletir, buscar, perguntar, perguntar e perguntar.

Quando perguntamos vamos obtendo respostas que exigem mais perguntas e assim vamos em busca do que está atrás do estamos lendo, vendo ou ouvindo.

O que está por trás o texto?

O que está por trás daquela situação?

O que está por trás das palavras ou das explicações que ouvimos?

O que está por trás dos gestos ou da postura daquela pessoa?

Temos armazenado nos nossos arquivos mentais uma gama de experiências que podem nos ajudar a encontrar o que está oculto por trás das aparências. No entanto, sempre vai existir a possibilidade de descobrirmos novas respostas, novas soluções, se nos empenharmos com afinco neste caminho, na medida em que nossa curiosidade nos impele em descobrir, por exemplo, o que o texto nos diz nas entrelinhas. A curiosidade nos leva a procurar o contexto, para quem e por que o autor escreveu, que objetivo queria alcançar. As perguntas são extremamente necessárias para podermos chegar ao oculto.

Esse modo de agir pode ser aplicado nas diversas situações em que vivemos. Visualizar, sentir o que não está aparente exige um treinamento, um mergulho dentro de nós mesmos, para que também conheçamos o que está oculto dentro dos nossos sentimentos, do nosso coração. Quando conhecemos o nosso oculto, fica mais fácil aprender a buscar no outro além do aparente, para entender suas decisões, os sentimentos que o levaram agir dessa ou daquela forma.


Como transmitir a experiência de buscar o oculto no que está aparente?

Despertando no outro a curiosidade de perguntar, não somente o óbvio, mas também o absurdo, pois através do absurdo pode se encontrar respostas para uma situação concreta, visível. Esta experiência torna-se um conhecimento que se armazenará na memória e que poderá ser usado outras vezes, provocando mais perguntas, obtendo respostas que podem exigir mais perguntas que geram novos conhecimentos.

Ao trilhar este caminho, sempre é importante lembrar que tudo pode ser visto por diversos ângulos, com vários enfoques, com diferentes interpretações. Isso ajuda na busca do que está oculto na concretude dos fatos.

Outro elemento que ajuda bastante é pensar no que é simples. Muitas vezes a “tendência intelectual” que julgamos ter, é buscar explicações mirabolantes, espetaculares, quando a resposta, de tão simples, nos passa despercebida. Ao descobrirmos temos a exata sensação de quanto temos ainda que aprender.

Concluindo, não devemos desprezar nunca o que é aparente, o que é evidente, mas através do aparente, do evidente, procurar o que está oculto e o que esse oculto pode nos acrescentar, nos ajudar a viver melhor com o nosso próximo, com humildade, consciente que a cada dia, a vida nos apresenta uma situação nova que nos mostra que não sabemos tanto quanto pensamos saber!

quinta-feira, 16 de junho de 2011



Respira em mim, ó Espirito Santo,
para que eu pense o que é Santo.

Impulsiona-me, ó Espírito Santo,
para que eu faça o que é santo.

Atraí-me, ó Espírito Santo,
para que ame o que é santo.

Conforta-me, ó Espírito Santo,
para que eu preserve o que é santo.

Preserva-me, ó Espírito Santo,
para que eu nunca perca o que é santo.

(Santo Agostinho)

terça-feira, 14 de junho de 2011



CRISTOLOGIA

O MISTÉRIO PASCAL

O Mistério Pascal concentra o núcleo da nossa fé ao afirmarmos a morte e a ressurreição de Jesus. Jesus ressuscitou porque morreu!
Só existe ressurreição porque existe a morte!
Existem causas muito concretas para explicar o modo como Jesus morreu.
1- Vida e prática de Jesus
2- Paixão e morte
3- Ressurreição

1- A vida e a prática de Jesus- Comportamento de Jesus
O objetivo da vida de Jesus é instalar o Reino. A vida inteira Jesus anunciou o Reino e lutou para que ele acontecesse.

Controvérsias: (Mc gênero literário das controvérsias)
O que os adversários de Jesus falavam dele ou entendiam como mensagem em Mc 2,1-12:
1a-Nível histórico – O que realmente aconteceu?
2a-Nível da fé – O que o texto está querendo dizer sobre a fé?
3a-Nível eclesial – O que está querendo ensinar no contexto de quem escreveu?

1a - Existe uma discussão entre Jesus e os doutores da Lei que eram os responsáveis sobre a manutenção da teologia na comunidade daquela época.
A discussão parece ser sobre o perdão dos pecados.(Quem perdoa os pecados senão Deus?)
Para os judeus, naquela teologia, o pecado, conduz, origina a doença, isto é, na raiz de toda doença está o pecado. A doença é conseqüência do pecado para os judeus. O pecado é causa da impureza, logo, o pecador não pode se relacionar com Deus.
Para se purificar precisa apresentar um sacrifício no Templo. Quem organiza o Templo são os saduceus, cujo os doutores da lei são ótimos funcionários. O templo é o centro da vida religiosa do judeu. Como vivem situações que o tornam impuro, sempre precisam ir ao templo para se purificarem e comprarem animais para o sacrifício.

1a. Parte – Deus
2a. Parte – Consumo dos pecados
3a. Parte – Consumo do templo (sacerdotes)

A casta dos sacerdotes ganham na venda do que é oferecido. Ganham com a parte que lhes cabe do que é oferecido e ganham com a venda do que sobra do que é oferecido.
Quem sofre com isso são os pobres. Toda essa situação faz com que o povo comece a ser escravizado pelo poder do templo, que se afirma como referência religiosa, política e econômica.
Tudo acontece no templo. Quem manda no templo, manda na Lei, manda na riqueza, manda nas decisões.
Pescadores, pastores, publicanos, todos são pecadores.
Jesus ignora todos e tudo e perdoa: “Teus pecados te são perdoados” – de graça. Perdão dos pecados seria a ruína do templo.
O sistema de pureza em que alguns se sobreponham a muitos para se aproximar de Deus, deve deixar de existir. Ex. Sacerdotes e levitas não podem ficar impuros – os samaritanos já nascem impuros. Esse sistema de pureza que impede as pessoas de viverem junta com outras, precisa acabar. Hassidim – os separados.
A discussão de Jesus com os doutores da Lei é sobre o sistema de pureza e sobre a exploração do templo.
A comunidade afirma que quem perdoa é o filho do homem, isto é, o Filho de Deus.

VIVER O PERDÃO NA COMUNIDADE (Mc 2,23-28)
Discussão com os fariseus.

1- Questão do sábado- sábado é dedicado exclusivamente a Javé.
2- Jesus coloca que o sábado é para o homem e não o homem para o sábado. O que vem primeiro? A Lei ou a vida? A Lei tem que estar a serviço da vida.

O primeiro compromisso de Jesus e nosso também como cristãos, é a defesa da vida. Alei para os fariseus é o lugar onde se apóiam para viver sem nenhuma preocupação com a vida.

Jesus critica a função do templo.
Jesus critica a função da Lei.

Jesus propõe em vez do código de pureza a prática da “dádiva”. As pessoas que queriam matar Jesus não entenderam o que Jesus falava, tanto que o mataram.
A prática de Jesus visa a defesa da vida, dos excluídos e por isso critica a forma de organização, principalmente religiosa, que privilegia alguns e prejudica a maioria da população. Diante da Lei, todos devem ser iguais.

MORTE DE JESUS
Jesus morreu e da forma que morreu porque os homens decidiram que Ele deveria morrer por não obedecer a Lei.

1-Histórica/religiosa – Existe uma acusação teológica contra Jesus pelos judeus, que é uma acusação de blasfêmia e por isso será julgado num tribunal religioso e lá será condenado pelo Sinédrio.

2-Histórico/política – Diante do tribunal de Pilatos (romano) Jesus é acusado de subversão, ou seja, Jesus se fazer Rei. Esta era a acusação feita pelos judeus e talvez também pelos romanos. Quem se arvora em papel de Rei ou criticam a forma de governo do Rei, isto é, de César, é considerado subversivo e traidor e neste tribunal Jesus é condenado a morte por crime político de subversão.
Os judeus acusam Jesus por inveja e ciúmes. O Império Romano através de Pôncio Pilatos decidem também matar Jesus. Todo o julgamento de Jesus é realizado de acordo com o Direito Romano:

-Teve direito de defesa
- Morte na cruz

A morte na cruz é tipicamente romana (judeu mata apedrejando). Os criminosos políticos, normalmente, tem morte na cruz. A morte na cruz era considerada exemplar.

(Aula do Prof. Manzato)

CRISTOLOGIA

O REINO DE DEUS

Olhando para a história de Jesus de Nazaré é que compreendemos o que Jesus significou na Palestina do século I e o que significa hoje para nós na nossa realidade.
Conhecemos Jesus a partir do Evangelho, mas também devemos conhecer Jesus histórico., embora de uma maneira genérica, os Evangelhos nos darão condições de conhecer o homem Jesus de Nazaré.
Aquilo que temos certeza na vida de Jesus de Nazaré é a sua pregação do Reino

- Sabemos que Jesus nasceu.
- Não sabemos onde nasceu – em Nazaré..... em Belém....
- Não sabemos quando nasceu – 3 ou 4 a.C.
- Não sabemos o tamanho de sua família.

- Sabemos que morreu crucificado no ano 30.
- Não sabemos se seu ministério durou 1 ou 3 anos.

Não sabemos quase nada sobre sua vida antes dele começar a pregar. Aos 30 anos começou a ser um pregador itinerante, tinha seguidores e simpatizantes e anunciava uma mensagem simbolizando o Reino.
O anúncio do Reino é algo diferente, ou seja, especificamente da boca de Jesus.
No Antigo ou Primeiro Testamento, ninguém fala do Reino. No Novo ou Segundo Testamento e nas Cartas poucas vezes se fala do Reino. No entanto, nos Evangelhos se fala do Reino sempre que Jesus fala, pois o Evangelho anuncia uma Boa Notícia.
Jesus andava de cidade em cidade, de vila em vila, conclamando as pessoas a se converterem e aceitar o Reino de Deus. E o que é o Reino de Deus? Deus Reina.
Jesus quando fala de Deus, o que as pessoas entendem?
O que o próprio Jesus pensa quando fala do Reino?
E nós? Se pensarmos diferente de Jesus, devemos aprender dele o que Ele quer.

Apóstolos, fariseus, discípulos, judeus, pensam no futuro.

Jesus: Onde Jesus discorda e onde Jesus concorda com o povo – traçaremos uma linha de compreensão sobre o que Jesus quer dizer com o Reino de Deus.
Palestina na época de Jesus: mentalidade cultural, religiosa, cosmovisão, relacionamento humano.

Apocalíptica- sistema dominante na época de Jesus.

Logo o referencial do discurso de Jesus está inserido no contexto da realidade de sua época. O movimento hegemônico da Apocalipse inicia-se no séc. II a.C. e vai até o séc. II d,C. Jesus e as primeiras comunidades viveram neste período. O mais famoso livro apocalíptico é o de Daniel, no Primeiro Testamento.
No Segundo Testamento o apocalipse aparece nos textos dos Evangelhos e no próprio livro de João. Temos toda uma literatura, apócrifos, escritos históricos, todos apocalípticos como os quatro livros de Henoc.
O conteúdo maior da apocalíptica é a esperança de que um mundo futuro (éon-mundo) apareça. Para isso é preciso que o éon atual desapareça.
Neste mundo atual só vamos conhecer a tristeza, sofrimento- alegria, justiça fraternidade pertencem a outro mundo. Esse outro mundo que deverá aparecer. Esse será o Reino de Deus.
Basicamente, o apocalipse prevê sempre a destruição. Para depois construir o melhor, mais perfeito.
No fundamento deste mundo atual está o pecado, logo, jamais se formará como bom e basicamente é Deus que vem para julgar e castigar os corruptos, os injustos. Todos esses conhecerão a ira divina. Os que permanecerem fiéis, perseverarem, recebem o prêmio de viver no mundo futuro.
Tudo isso é apocalíptica e não Teologia Católica.
João Batista foi um típico profeta apocalíptico. O movimento apocalíptico é um movimento popular que expressa o desejo popular para que as coisas sejam diferentes.
O povo não pode fazer diferente porque é pecador. A mudança tem que ser feita por Deus- Ato de Deus.
Muito do que Jesus falou tem relação direta com o movimento apocalíptico, pois Ele estava vivendo neste contexto histórico. O Reino futuro que vai acontecer depois da morte é acréscimo nosso. O Reino é um mundo que virá em substituição ao Reino presente. A linguagem apocalíptica é sempre uma linguagem simbólica, tanto quanto os relatos do livro de Gènesis.
O fato apocalíptico é um fato do anúncio de Jesus, mas não só:

apocalíptico
Reino
Profético

Os contemporâneos de Jesus o identificam como profeta. João Batista e Jesus, nas suas pregações tem muito em comum, mas as diferenças também são marcantes:

João – austeridade Jesus - comensalidade- é acusado de comer e beber muito
João – sai do mundo Jesus – entra no mundo.
João – espera o povo Jesus – vai ao povo.
João anuncia o Reino com a chegada do julgamento e castigo.
Jesus anuncia o Reino como graça e perdão.
João vivia segundo a Lei do Sinai (sempre presente a ameaça)
Jesus prega aos pecadores o Reino de dom, da dádiva, da fraternidade.

Essas diferenças distanciam a pregação de Jesus da pregação apocalíptica para ser uma pregação profética. O referencial de todos os profetas é a Aliança – a Lei Mosaica. A Aliança é como um contrato entre Deus e o povo – Deus Reina.
Na Aliança o povo assume o compromisso de ser um povo em que Deus é Rei.

Como se organiza um povo? Que Deus reina?

Confederação das tribos – Organização social cuja base é o acordo de igualdade entre as tribos. Cada tribo vive sua vida. Quando uma tribo está em dificuldade todas se reúnem para ajudar. Todas defendem e todas as tribos têm os mesmos direitos e deveres.

Quando Deus não reina:
O povo será subjugado, escravizado e explorado através de impostos cada vez maiores – sociedade extratificada em classes sociais – desigualdade.
A pregação dos profetas vai sempre lembrar ao povo a Aliança que leva a igualdade. Quando Jesus fala de Reino ele não esquece essa dimensão profética do Reino de Deus. Logo, Jesus pensa na confederação das tribos, ou seja, formar uma sociedade onde a igualdade seja básica.

Apocalíptica – Justiça

Profética - Igualdade

“Meu reino não é deste mundo” – de um mundo diferente, de igualdade.

O Reino de Deus – Deus vai fazer mas, o ser humano tem que colaborar, porque a compreensão de Jesus sobre o Reino é a igualdade. Ele senta para comer com os pecadores – não existe distinção, fronteiras, etc.

Reino de Deus – maneira futura de organizar a sociedade, não depois da morte, futura no sentido de superar as divisões. Fundamental é não ter medo e sim praticar a fraternidade.
A diferença entre apocalíptica é profética é:

Apocalíptica – só Deus pode fazer as mudanças.

Profética – nós podemos nos converter e começar a fazer as mudanças.

Para Jesus o Reino de Deus e vivência espiritual (apocalíptica) e material (profética), logo, a dimensão apocalíptica e a profética se completam.
Estamos vivendo o Reino de Deus quando vivemos de acordo com a igualdade e a justiça. Já não podemos ignorar essa dimensão apocalíptica da nossa história e devemos, também, viver o movimento profético mudando a nossa maneira de viver, ou seja, construir o Reino aqui e agora – ser igual – não ser maior que o outro – lutar para ser igual.
A partir da redescoberta da história de Jesus, redescobrimos o Reino.

(Aula do Prof. Manzatto)